segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Eleição Incondicional Parte II

Eleição pode ser definida como “o propósito eterno de Deus de salvar alguns da raça humana em e por Jesus Cristo”. Pedro escreveu sua primeira epístola “aos eleitos de
Deus… segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo” (1Pe. 1:1-2).
Toda eleição que é feita é uma eleição condicional. Quando votamos num candidato em determinada eleição, assim fazemos baseados em suas promessas, sua posição política, sua boa aparência, sua raça ou etnia ou algum outro fator. Mas a nossa escolha por Deus, para sermos filhos de Deus que foram adotados em sua família, é
puramente incondicional. Ela não depende de algo que pensamos, dizemos, fazemos ou somos. Não há como saber o porquê Deus escolhe salvar certas pessoas. Mas com certeza não é baseado em algo presente nessa pessoa.
Realmente, esse é um pensamento maravilhoso. Pois quem poderia permanecer diante de Deus para fazer qualquer alegação de que era bom o suficiente para Deus o escolher? Todos estávamos igualmente mortos no pecado, e não tínhamos feito sequer alguma coisa “boa” que nos fizesse aceitáveis a Deus. Se nossa eleição fosse baseada em algo que fazemos, ninguém seria capaz de ir para o céu. Todos seríamos condenados ao inferno, pois ninguém é bom. Assim, podemos louvar a Deus por sua eleição incondicional.

II. A Escolha Soberana de Deus

Eleição é um fato diário. Pois se cremos que Deus tem algum controle sobre a história e as nossas vidas, devemos crer em algum tipo de eleição. Jesus escolheu dozes discípulos com os quais gastou três anos. Ele poderia ter escolhido mais ou diferentes discípulos. Então, Jesus enviou seus discípulos para pregar o evangelho. Ao serem guiados
por Deus para ir numa ou noutra direção, houve eleição. Ir para oeste, e não leste, significa necessariamente que certas pessoas não ouvirão a mensagem do evangelho. Se você decide compartilhar o evangelho com um amigo, mas não com outro conhecido distante, você estará experimentando uma forma de eleição. Então, necessariamente milhões de outros não estarão tendo a oportunidade de ouvir as boas novas das quais você está falando. Em nossa salvação, Deus faz sua escolha soberana quanto a quem salvará. Não há nada num homem ou no que ele faz que faça Deus escolhê-lo.
Nem é a vontade do homem escolher a Deus (Jo. 1:13). “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm. 9:16), Paulo argumenta. Ele prova isso quando fala da escolha de Jacó sobre Esaú por Deus. “…Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú” (Rm. 9:10-13). Aqui somos claramente informados que Deus já tinha decidido antes dos gêmeos nasceram quem era eleito. Deus disse, “Amei Jacó…”.

III. Liberdade do Homem

Se Deus escolheu soberanamente quem ele salvará e determinou o que acontecerá em cada detalhe da história, por que deveríamos ser responsáveis? Cada pessoa faz todas as suas ações livremente, de acordo com a sua vontade. Mas essas ações “também são a obra do propósito eterno e pré-ordenação de Deus”. 2 É difícil para nós, a partir da nossa perspectiva humana limitada, entender como Deus pode pré-ordenar tudo o que acontecerá, e ainda nos manter plenamente responsáveis por nossas ações. Todavia, isso é consistente com o ensino da Escritura. Veja o sermão de Pedro no dia de Pentecoste. “Sendo este [Jesus] entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos” (At. 2:23). Pedro reconhece que, embora estivesse no plano de Deus que Jesus fosse morto, os judeus que condenaram Jesus e o entregaram aos romanos que o crucificaram, foram culpados por suas ações. “Deus ordena os meios bem como os fins dos eventos humanos, sem violar a liberdade e responsabilidade humana”.3 Isso é adicionalmente ensinado na oração dos discípulos após
Pedro e João terem sido soltos do Sinédrio, o tribunal judeu, quando disseram: “Porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o teu santo Servo Jesus, ao qual ungiste, Herodes e Pôncio Pilatos, com gentios e gente de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram” (At. 4:27-28). Aqui vemos que nada, nem mesmo a morte ofensiva do Filho de Deus, acontece à parte do propósito fixado por Deus. Deus assegura soberanamente que sua mão forte acompanha sua vontade. Todavia, aqueles que praticaram esse assassinato maligno de Jesus eram agentes plenamente responsáveis diante
de Deus por suas ações. O calvinista crê que todo o mundo é totalmente livre, livre para fazer o que quer. Deus não coage alguém a fazer algo contra a sua vontade. Mas todo o mundo é escravo do pecado. Assim, nessa escravidão o homem não pode escolher o bem em vez do mal.
Você poderia comparar isso com um alcoólico que tecnicamente pode fazer uma escolha de beber ou não beber. Mas ele não pode parar de beber. Está escravizado ao álcool. Todavia, ele é livre para escolher seguir a Cristo ou rejeitá-lo. Mas ele faz exatamente o que seu coração deseja. Ele segue o desejo do seu coração, que é continuamente para o mal e ódio para com Deus. Ele entrega-se livremente ao pecado que ama. Mas o homem não tem um livre-arbítrio para escolher a Cristo ou rejeitá-lo. A vontade do homem está presa às cadeias do pecado.
O cristão também não tem um livre-arbítrio, pois o Espírito de Deus muda a vontade daquele escravizado pelo pecado para escolher seguir a Cristo. Como Jesus disse: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim…” (Jo. 6:37). Ele continua mais tarde para dizer: “…ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo. 6:65). Então,
daqueles que vêem, Jesus disse: “…o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.
“… eu não perderei nenhum de todos os que me deu…” (Jo. 6:37b, 39; versão do autor).
Deus assim captura nossa vontade para que nunca o rejeitemos totalmente, se somos realmente seus. Que pensamento encorajador!
Alguns pensam que a eleição é uma doutrina dura, que força as pessoas a fazerem o que não querem. Isso é um mal-entendido.
Todo o mundo consegue exatamente o que quer. Aqueles destinados a irem para o inferno estão satisfeitos ao irem para lá, pois odeiam a alternativa. Sim, aqueles no inferno estão em contínua agonia. Mas o que eles odeiam ainda mais é se submeter à adoração do Deus triúno. Como Edwin Palmer diz: “O último lugar que eles querem estar é no céu. Eles não podem engolir a idéia de se arrepender dos pecados e amar a Deus e aos outros mais que a si mesmos. Eles não querem estar no inferno, mas quando sabem que a alternativa ao inferno é ir para o céu com um coração satisfeitos por não estarem com Deus”.
puro, desejarão permanecer no inferno. Assim, é verdade que cada um consegue o que quer: os cristãos estão satisfeitos por estarem com Deus, e os habitantes do inferno estão
 
No caso das muitas pessoas que não estão entre os eleitos, Deus fez uma decisão eterna de não lhes conferir sua misericórdia. João escreve em Apocalipse “[d]aqueles que
habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo…” (Ap. 17:8). Em vez disso, Deus os punirá com juízo por seus pecados.
Chamamos isso de reprovação. É uma doutrina mui claramente descrita por Paulo em Romanos 9. “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz” (Rm 9:18). Claramente Deus endureceu o coração de Faraó e dos egípcios quando libertou os israelitas da escravidão, durante o êxodo. “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?” (Ro. 9:22-24). Sendo Deus um Deus santo, glorioso e maravilhoso, deseja que seja glorificado em tudo o que faz. Assim, ele é glorificado em sua santidade, poder e justiça pela destruição dos ímpios que rejeitam a verdade e desobedecem aos seus mandamentos. O poder e a força soberana de Deus,
ao salvar o seu povo de uma das nações mais poderosas da terra e sobrepujar todo o poder dos deuses do Egito, foram feito conhecidos através do endurecimento do coração dos egipícios e no afogamento do exército egípcio. Está simplesmente no beneplácito de Deus revelar sua verdade ao humilde, mas ocultá-la do orgulhoso. Como disse Jesus: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado” (Mt. 11:25-26).
O papel de Deus na reprovação é passivo.5 O ímpio é ignorado ou deixado de lado. Eles são condenados por sua incredulidade. Jesus disse: “… o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo. 3:18). Mas a redenção de Deus dos eleitos é um papel ativo, ao estender a sua misericórdia àqueles que foram ordenados para a vida eterna. Jesus disse: “Porquanto Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo. 3:17). Deus enviou seu Filho para salvar pecadores. O fato de Deus deixar de lado alguns pecadores, não lhes concedendo sua misericórdia, é um justo julgamento pelo pecado deles. Como Pedro diz:
“São estes [aqueles que não crêem] os que tropeçam na palavra, sendo desobedientes, para o que também foram postos” (1Pe. 2:8). Aqui novamente vemos a responsabilidade humana e
um cumprimento do propósito eterno de Deus.

 V. Deus é justo?

Freqüentemente a objeção surge quando as pessoas ouvem que Deus elege incondicionalmente alguns e ignora outros para a salvação, pensando que isso pessoa deve de alguma forma provar que algum ser humano merece ser salvo. Mas vemos
necessariamente significa que Deus é injusto. Contudo, para acusar Deus de ser injusto, a
claramente na Escritura que todos merecem apenas ser condenados ao inferno por sua incredulidade, pecado e rebelião contra Deus. Portanto, Deus seria perfeitamente justo em mandar todo o mundo para o inferno e a morte eterna. A Lei de Deus nos mostra que merecemos sua maldição, como quando o Filho do Homem disse aos bodes à sua esquerda: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt. 25:41). Contudo, podemos nos maravilhar com o amor compassivo e a misericórdia de Deus quando ele chama seu povo dizendo,

“Convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus,
porque ele é misericordioso, e compassivo,
e tardio em irar-se, e grande em benignidade,
e se arrepende do mal” (Joel 2:13).

O contraste entre o que merecemos e o que temos em Cristo é visto no versículo muito amado de Romanos 6:23: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor”.
Paulo argumenta que é totalmente prerrogativa de Deus escolher quem ele salvará: Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois
ele diz a Moisés: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão” (Rm. 9:14-15).
Portanto, a justiça de Deus não seria maculada se ele tivesse escolhido não salvar ninguém ou salvar todo o mundo. Ninguém pode presumir conhecer a mente do Senhor. Quando Paulo irrompe numa doxologia em Romanos 11, ele diz, Quão insondáveis são os seus juízos,
e quão inescrutáveis, os seus caminhos!
“Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?” (Rm. 11:33b-34a). Ou como Isaías diz, “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos”, diz o SENHOR (Is. 55:8).
Se culpamos a Deus de injustiça, a réplica de Paulo é encontrada em Romanos 9. Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: ‘Por que me fizeste assim?’
Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? (Rm. 9:20-21).
Assim, mesmo ao ignorar pecadores e deixá-los em sua condenação, Deus tem um direito perfeito e justo de assim fazê-lo. Além do mais, ele recebe a glória ao assim fazer.
Ninguém tem algum direito à misericórdia e salvação de Deus, mas somos todos seus devedores.

VI. Benefícios Duradouros


A doutrina da eleição incondicional nos dá pelo menos cinco benefícios duradouros à nossa fé.
Primeiro, tem um efeito humilhante sobre o nosso orgulho natural. Temos um desejo contínuo de pensar que temos alguma parte em nossa salvação, que nos faça dignos de
Deus nos salvar. Mas se fomos escolhidos antes da fundação do mundo, antes de termos nascido, então podemos estar certos que nossa eleição não tem nada a ver com algo que fizemos. Ela tem origem puramente na graça de Deus, nos dada como um dom (Ef. 2:8-9).
Portanto, não temos nada sobre o que nos gloriar, senão em nosso Senhor. Segundo, nossa eleição incondicional produz em nós um profundo amor por Deus. Como James Boice explica: “Se temos uma parte na salvação, não importa quão pequena, então nosso amor por Deus é diminuído nessa proporção”. 6 Tristemente, muitos cristãos hoje tomam o amor de Deus como garantido. Eles pensam que merecem o amor de Deus. “Se eu me amo, não deveria Deus me amar também?”. Eles também confundem o amor geral de Deus por toda a sua criação, com o seu amor específico e redentor pelos seus eleitos. Mas quando entendemos que fomos eleitos pela graça de Deus somente, de nossa
depravação radical, nossa forma egocêntrica de pensar é reorientada. Então, nos maravilhamos com a maravilha de seu amor profundo por nós e respondemos em amor
para com ele. Terceiro, nosso entendimento da eleição aumenta nossa adoração a Deus. Como podemos admirar um Deus que é frustrado pela vontade rebelde de homens e mulheres? Se pensamos que escolhemos a Deus por nossa própria vontade, necessariamente limitamos nosso entendimento da natureza e poder de Deus. Como Martinho Lutero disse: “Ora, se sou ignorante das obras e do poder de Deus, sou ignorante do próprio Deus; e se não
conheço a Deus, não posso adorá-lo, louvá-lo, dar-lhe graças ou servi-lo, pois não sei quanto devo atribuir a mim mesmo e quanto a ele”.7 Assim, um entendimento correto de Deus e da sua obra leva a uma adoração correta de Deus. Quarto, nossa eleição incondicional encoraja o evangelismo. Alguns objetam, supondo que visto que Deus salvará aqueles a quem já elegeu, por que devemos pregar o evangelho? Mas é o claro ensino da Escritura que os meios ordenados por Deus através dos quais ele
cumprirá os seus propósitos na salvação é mediante a pregação do evangelho, através do seu povo. Jesus nos ordenou especificamente a “ir e fazer discípulos… ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” (Mt. 28:19-20). O apóstolo nos exorta a
fazer o mesmo por palavra e exemplo. Paulo diz aos coríntios: “Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (1Co. 1:21). Assim, os meios pelos quais Deus ordenou que cheguemos a fé é através da pregação do evangelho. Como Paulo diz aos romanos: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm. 10:14). Mas alguém pode objetar: se apenas Deus pode capacitar uma pessoa a responder à pregação do evangelho, por que deveríamos pedir às pessoas para fazer o que não podem por natureza? Fazemos assim, porque pela pregação do evangelho recebemos a certeza que
Deus converterá os corações. É apenas ao conhecer a verdade da eleição que temos alguma esperança de sucesso em nosso evangelismo. Se o coração das pessoas é tão duro e obscurecido como descrito na Bíblia, não podemos ter esperança de ver alguém chegar à fé
através da nossa pregação. Se a salvação de outros depende da nossa eficácia em dizer a coisa certa e ser persuasivo o suficiente, como poderíamos esperar alguém receber a Cristo?
E se cometermos um engano, respondermos erroneamente, não entendermos as perguntas reais da pessoa ou não usarmos uma técnica persuasiva? Como poderíamos viver com a culpa do destino eterno dos outros residindo ao menos parcialmente sobre os nossos ombros?
Mas sabendo que Deus elegeu alguns para salvação, podemos testemunhar com ousadia, não temendo cometer um engano. Pois Deus chamará os seus à salvação, a
despeito da nossa fraqueza. Sua Palavra não retornará vazia, mas cumprirá o que ele deseja (Is. 55:10-11). Jesus disse: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide,
portanto…” (Mt. 28:18-19a). Jesus promete que algumas das sementes da Palavra que semeamos produzirão fruto e florescerão. O choro do nosso semear resultará em alegria,
quando colhermos o grão que se multiplicou. Assim, saber que Deus trará os seus eleitos em e através da nossa perseverança na evangelização é um grande encorajamento. Podemos estar confiantes que todos os eleitos serão salvos e “a causa de Deus triunfará no final, para
morta. Começamos a produzir mais e mais frutos do Espírito em boas obras e fé. A boa obra começada por Deus será completada no dia que encontramos o Senhor Jesus em sua
vinda. Saber que fomos predestinados à salvação por Deus antes da fundação do mundo é uma segurança confortadora. Como um dito atribuído a Charles Spurgeon diz, “é uma boa coisa que Deus tenha me escolhido antes de nascer, pois certamente não teria feito depois!”.9 Ter certeza da nossa fé é um dom de Deus. Torna a nossa vida presente doce e confortável, embora trabalhemos duro com o poder com o qual Deus nos capacita. A certeza nos abençoa no céu e em nossa consciência.
Louvado seja Deus por sua graça eletiva, com a qual nos abençoou.
Bênção:
“Salva-nos, SENHOR, nosso Deus,
e congrega-nos de entre as nações,
para que demos graças ao teu santo nome
e nos gloriemos no teu louvor.
Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel,
de eternidade a eternidade.
e todo o povo diga: ‘Amém!’
Aleluia!” (Sl. 106:47-48).


IV. Reprovação


Eleição Incondicional

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Quem escolhe? Deus ou nós?

Quem escolhe? Deus ou nós?


Essa pergunta tem levantado acirrados debates teológicos. Somos nós que escolhemos ser salvos ou é Deus, em Sua soberania, que escolhe quem Ele quer? Será que todos têm oportunidade de salvação? A princípio talvez sua resposta seja: "somos nós que escolhemos, afinal todos tem oportunidade". Mas será que é isso mesmo que a Bíblia ensina? Vamos analisar os textos bíblicos e depois você poderá responder com mais precisão.

A Bíblia não diz que Deus amou o mundo?
Sim, com certeza!
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,para que todo aquele que nele crê nãopereça, mas tenha a vida eterna."
João 3:16

E amar o mundo não significa escolher todas as pessoas do mundo?
Não! Veja o que Jesus falou sobre seus discípulos:
“Se vocês fossem do mundo, o mundo os amaria por vocês serem dele. Mas eu os escolhi entre as pessoas do mundo, e vocês não são mais dele. Por isso o mundo odeia vocês.”João 15:19 NTLH

Então não somos nós que escolhemos a Deus? É Ele que nos escolhe?
Exatamente. Assim Ele diz:

Não me escolheste vós a mim, mas eu vos escolhi a vós,e vos nomeei para que vão e dêem fruto e que esse fruto não se perca.”João 15:16a NTLH

Quando Ele nos escolheu?
Antes da criação do mundo.
"Antes da criação do mundo, Deus já nos havia escolhido para sermos dele
por meio da nossa união com Cristo,
nos apresentarmos diante dele sem culpa..."
Efésios 1:4 NTLH

Mesmo sendo Deus que nos escolheu, será que Ele não nos escolheu por que sabia das nossas obras futuras?
Não, pois a salvação não depende das nossas obras, mas sim do plano e da graça de Deus.
"Deus nos salvou e nos chamou para sermos o seu povo. Não foi por causa do  que temos feito, mas porque este era o seu plano e por causa da sua graça. Ele nos deu essa graça por meio de Cristo Jesus, antes da criação do mundo."
2 Timóteo 1:9 NTLH

Tem algum exemplo na Escritura que mostre isso?
Sim, Jacó e Esaú são um bom exemplo de que Deus não leva em consideração as obras de ninguém na hora de escolher.
"Mas, para que a escolha de um deles fosse completamente de acordo com oo próprio Deus disse a Rebeca: "Porque não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem  ou mal(para que o propósito de Deus,segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor".Romanos 9:11 e 12.

Amar um e rejeitar outro antes de nascerem não é uma grande injustiça de Deus?
De modo nenhum. Veja:
"Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum! Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que se compadece.
Romanos 9:14-16

Que direito Deus tem pra agir assim?
O direito que o Criador tem sobre aquilo que Ele cria.
"Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre o barro, para da mesma massa fdazer uma vaso prar honra e outro para desonra?
Romanos 9:20 e 21

Mas por que Deus escolhe uns e não escolhe outros?
Porque quer mostrar o seu poder sobre os vasos da ira e também mostrar a sua glória nos vasos de misericórdia.
"E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu
perdição, para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou,
a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?"
Romanos 9:22-24 RC

Acho que Deus pode escolher pessoas para muitas coisas, mas não para a salvação.
Onde a Bíblia diz que é escolha para a salvação?
Em várias passagens das Escrituras, veja um exemplo:
"Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo."
2 Tessalonicenses 2:13 e 14 RA

Será que não foi por que eu quis buscar a Deus que Ele me deu a salvação?
Não, pois o homem natural, afastado de Deus, nunca o busca. Como está escrito:
"Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguémTodos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não
Romanos 3:10-12 RC

Sim, mas eu tive fé. A minha fé não veio antes da escolha de Deus?
Não! Primeiro é preciso que Deus escolha a pessoa, para que então ela tenha fé.
"Pois esta é a ordem que o Senhor Deus deu a nós, o seu povo: “Eu coloquei você como luz para os outros povos, a fim de que você leve a salvação ao mundo inteiro.” Quando os não-judeus ouviram isso, ficaram muito alegres e começaram a dizer que a palavra do Senhor era boa. E creram todos os que tinham sido ordenados para a vida eterna.
Atos 13:47 e 48 NTLH

Mas a fé é minha ou é um dom de Deus?
A fé é um dom de Deus!
"Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deys repartiu a cada um.Romanos 12:3

E o meu arrependimento?
Até o arrependimento tem que ser concedido por Deus.
"E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em cuja vontade estão presos."
2 Timóteo 2:24-26 RC

Então ninguém pode ser salvo se Deus não permitir?
Exatamente. Foi isso que Jesus falou.
"E prosseguiu: Por causa disto, é que vos tenho dito: ninguém poderá vir a mim,João 6:65 RA

Há mais textos que falam isso?
Sim. Veja:
"Todos aqueles que o Pai me dá virão a mim;
aqueles que vierem a mim. Pois eu desci do céu para fazer a vontade daquele que me enviou e não para fazer a minha própria vontade. E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum daqueles que o Pai me deu se perca, mas que eu ressuscite todos no último dia."
João 6: 37-39 NTLH

Então por que Jesus falou até por meio de parábolas? Não foi pra que todas as pessoas pudessem entender Sua mensagem?
Muito pelo contrário, Ele usou parábolas justamente para que os que não foram eleitos não entendam, não se arrependam e, conseqüentemente, não sejam perdoados.
"Jesus disse a eles: —A vós é dado saber os mistérios do reino de Deus, mas aos que estão de fora destas coisas se dizem por parábolas, para que vendo, vejam, e não percebam;e ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.
Marcos 4:11 e 12

                                                              Tiago Vieira

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Eleição Incondicional

Eleição Incondicional
Romanos 9:6-26
Bruce A. McDowell

Alguns cristãos se perguntam: por que é importante entender a nossa eleição por
Deus? Não deveríamos ficar satisfeitos simplesmente em saber que fomos salvos? A eleição
de Deus de certas pessoas para a salvação e não outras é um ensino difícil para muitas
pessoas aceitar. Elas pensam que devem ter alguma parte em determinar se são salvas ou
não. Embora muitos cristãos lerão na Bíblia sobre a eleição e escolha de Deus de pessoas
particulares para a salvação, os tais ignorarão ou tentarão interpretar isso de uma forma que
redefina o seu significado. Não obstante a eleição de Deus ser um ensino difícil, visto que é
ensinada em centenas de páginas da Bíblia, não deve ser ignorada. Ela nos dá um
entendimento correto de Deus com respeito a sua misericórdia, graça e onipotência e de
seu plano eterno para a nossa salvação. Ter um entendimento correto da eleição é
determinante para se entender corretamente outras doutrinas relacionadas, tais como a
natureza e extensão do nosso pecado, a escravidão da nossa vontade, a graça de Deus na
nossa salvação e a nossa apresentação do evangelho aos perdidos.

I. Eleição Incondicional Definida
O que se quer dizer por “eleição incondicional”? Antes de definirmos isso, é útil
entender primeiro alguns termos relacionados.
 
Pré-ordenação
O ensino da Escritura sobre a eleição é uma parte de uma doutrina mais ampla da
soberania absoluta de Deus. Não somente nossa eleição para a salvação, mas tudo o que
acontece no universo é parte do decreto eterno de Deus. Pré-ordenação é o plano
soberano de Deus no qual ele decide tudo o que acontecerá no universo. Nada acontece
por acaso. Deus conhece todas as coisas antes que aconteçam, e isso porque as planejou e
faz acontecer. Paulo escreve: “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo
sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua
vontade…” (Ef. 1:11). Vemos no relato da vida de José como embora seus irmãos o tenham
vendido para ser escravo no Egito, Deus usou isso para o bem, para salvar a eles e aos
egípcios da fome. José diz aos seus irmãos: “Assim, não fostes vós que me enviastes para
cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e
como regente em toda a terra do Egito” (Gn. 45:8). Tudo está debaixo do controle de
Deus. Assim, não precisamos ficar ansiosos. O salmista diz: “Mas o nosso Deus está nos
céus e faz tudo o que lhe apraz” (Sl. 115:3).
 
Predestinação
Predestinação é uma parte da pré-ordenação no fato de ser o plano de Deus para o
destino eterno do homem: céu ou inferno. Paulo explica aos efésios como Deus nos
predestinou em amor. “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para
sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a
adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para
louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado” (Ef. 1:4-6).
Paulo fala aos romanos dos mistérios do que Deus fez por nós em Cristo.
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes
à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que
predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos
que justificou, a esses também glorificou” (Rm. 8:29-30). O pré-conhecimento (presciência)
de Deus sobre nós significa que ele nos amou de antemão. Na linguagem bíblica“conhecer” significa “amar”. Assim, aqueles a quem Deus “de antemão amou”, também os
predestinou para serem conformes à imagem de Jesus. Sua pré-ordenação dos crentes é
baseada em seu amor eterno. Isso leva a uma cadeia contínua de salvação de ser chamado,
justificado e glorificado. Aqueles que crêem em Jesus podem louvar a Deus pela segurança
dessa promessa.