segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Eleição Incondicional

Eleição Incondicional
Romanos 9:6-26
Bruce A. McDowell

Alguns cristãos se perguntam: por que é importante entender a nossa eleição por
Deus? Não deveríamos ficar satisfeitos simplesmente em saber que fomos salvos? A eleição
de Deus de certas pessoas para a salvação e não outras é um ensino difícil para muitas
pessoas aceitar. Elas pensam que devem ter alguma parte em determinar se são salvas ou
não. Embora muitos cristãos lerão na Bíblia sobre a eleição e escolha de Deus de pessoas
particulares para a salvação, os tais ignorarão ou tentarão interpretar isso de uma forma que
redefina o seu significado. Não obstante a eleição de Deus ser um ensino difícil, visto que é
ensinada em centenas de páginas da Bíblia, não deve ser ignorada. Ela nos dá um
entendimento correto de Deus com respeito a sua misericórdia, graça e onipotência e de
seu plano eterno para a nossa salvação. Ter um entendimento correto da eleição é
determinante para se entender corretamente outras doutrinas relacionadas, tais como a
natureza e extensão do nosso pecado, a escravidão da nossa vontade, a graça de Deus na
nossa salvação e a nossa apresentação do evangelho aos perdidos.

I. Eleição Incondicional Definida
O que se quer dizer por “eleição incondicional”? Antes de definirmos isso, é útil
entender primeiro alguns termos relacionados.
 
Pré-ordenação
O ensino da Escritura sobre a eleição é uma parte de uma doutrina mais ampla da
soberania absoluta de Deus. Não somente nossa eleição para a salvação, mas tudo o que
acontece no universo é parte do decreto eterno de Deus. Pré-ordenação é o plano
soberano de Deus no qual ele decide tudo o que acontecerá no universo. Nada acontece
por acaso. Deus conhece todas as coisas antes que aconteçam, e isso porque as planejou e
faz acontecer. Paulo escreve: “Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo
sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua
vontade…” (Ef. 1:11). Vemos no relato da vida de José como embora seus irmãos o tenham
vendido para ser escravo no Egito, Deus usou isso para o bem, para salvar a eles e aos
egípcios da fome. José diz aos seus irmãos: “Assim, não fostes vós que me enviastes para
cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e
como regente em toda a terra do Egito” (Gn. 45:8). Tudo está debaixo do controle de
Deus. Assim, não precisamos ficar ansiosos. O salmista diz: “Mas o nosso Deus está nos
céus e faz tudo o que lhe apraz” (Sl. 115:3).
 
Predestinação
Predestinação é uma parte da pré-ordenação no fato de ser o plano de Deus para o
destino eterno do homem: céu ou inferno. Paulo explica aos efésios como Deus nos
predestinou em amor. “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para
sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a
adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para
louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado” (Ef. 1:4-6).
Paulo fala aos romanos dos mistérios do que Deus fez por nós em Cristo.
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes
à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que
predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos
que justificou, a esses também glorificou” (Rm. 8:29-30). O pré-conhecimento (presciência)
de Deus sobre nós significa que ele nos amou de antemão. Na linguagem bíblica“conhecer” significa “amar”. Assim, aqueles a quem Deus “de antemão amou”, também os
predestinou para serem conformes à imagem de Jesus. Sua pré-ordenação dos crentes é
baseada em seu amor eterno. Isso leva a uma cadeia contínua de salvação de ser chamado,
justificado e glorificado. Aqueles que crêem em Jesus podem louvar a Deus pela segurança
dessa promessa.